terça-feira, 1 de novembro de 2011

Jerusalém, Terra de Ninguém (?)



                                            Yuval Yairi - Emil Salman - Foto de Emil Salman

Em 1980, a Knesset (Parlamento israelense) proclamou a lei em que afirma que Jerusalém, completa e unida, é a capital de Israel. A comunidade internacional, no entanto, não reconhece a cidade como tal, e a maioria das embaixadas fica na região de Tel Aviv.

Em 2007 por ocasião do 40º aniversário da cidade o então prefeito Lupoliansky não evitou falar das polêmicas conseqüências da Guerra dos Seis Dias, e lembrou a história da cidade desde sua fundação, há 3.000, pelo rei Davi, pai de Salomão, que construiu o primeiro Templo judaico no Monte Moriá (Monte do Templo ou Esplanada das Mesquitas). O discurso reivindicava o caráter judaico de Jerusalém.

Mas Yuval Yairi  e  Guy Briller que configuram o projeto "Visite Nomansland"  dizem que todo mundo sabe que a linha desenhada a lápis verde por Moshe Dayan e Tal Abdullah em 1948, dividiram Jerusalém em duas - a parte ocidental de Israel  e na parte oriental árabe. Agora estamos sendo lembrados de que a linha dividiu a cidade em três: israelenses, árabes e terra de ninguém. 

Um grupo de artistas, a maioria deles moradores de Jerusalém, estão planejando reviver terra de ninguém de Jerusalém esta semana com uma série de obras e instalações, a maioria delas temporários, sob o título "Visita Nomansland". Moradores árabes revoltados com o slogan gritaram não existe terra de ninguém e que o local pertece a eles e que os judeus não tem direitos.

Mas “Jerusalém Terra de Ninguém”  era mais conhecido entre as guerras, desde 1949 até 1967. Entre as linhas e queimadas com minas terrestres e tiros de franco-atiradores do Jordaniano Legion, ou seja,  uma verdadeira terra de ninguém onde as pessoas tinham medo de ir. Este período também deu origem a uma série de lendas.

Yuval Yairi (esquerda na foto acima) e Guy Briller configuram o projeto "Visite Nomansland"  próximo a Porta de Damasco em Jerusalém. "Há uma pequena mina de ouro aqui", diz Briller. Ao pé da Notre Dame, na área entre o Portão de Damasco e do bairro Musrara, era o maior trecho de terra de ninguém no coração de Jerusalém. Este é o lugar onde a maioria dos trabalhos e exposições serão exibidas nesta semana.

Antigos moradores do bairro lembraram que até 1967, esta área era um grande pântano de água de esgoto, onde vagavam os chacais. Após a Guerra dos Seis Dias, Israel  fez um grande esforço para limpar o local. O pântano foi drenado e substituído por um sistema de estradas que atravessam a cidade de sul a norte. O metrô ligeiro foi adicionado, bem como um novo  terminal de ônibus em Jerusalém (Oriental), além de praças e palmeiras, unificando essas duas principais partes da cidade no cruzamento de comércio e transporte de Jerusalém. É a principal rota dos bairros ultra-ortodoxos ao Muro das Lamentações, e para os turistas é a entrada principal da Cidade Velha.

No entanto, o esforço para apagar a fronteira falhou em pelo menos um lugar significativo: Terra de Ninguém permanece no Google Maps, e foi aí que eles notaram isso cerca de um ano atrás. "De repente, ele saltou para mim há uma pequena mina de ouro aqui", lembra. Um total de 32 artistas vão participar do projeto que está sendo produzido como parte do Manofim (alavancas), uma série de eventos para expor arte em Jerusalém para o público em geral. 

Manofim foi fundada há quatro anos por jovens artistas de Jerusalém e rapidamente se tornou uma das iniciativas mais interessantes artística na cidade.

Durante a próxima semana, haverá 25 exposições na série Manofim, alguns deles em espaços surpreendentes como uma loja de reparação de automóveis na zona industrial de Talpiot. O projeto é apoiado pela Fundação Jerusalém. 

Na próxima fase, em fevereiro de 2012, os artistas estão planejando estabelecer um "conselho de terra  de ninguém", que vai realizar discussões sobre o significado do lugar  tanto em Jerusalém e como metáfora.

Na minha opinião essa história de que Jerusalém deve ser propriedade de todos ou terra de ninguém tem seus contra. Agora  a Americans for Peace Now, o sócio da Paz dos EUA de esquerda de Israel  entrou com um pedido ao Tribunal Supremo dos Estados Unidos opondo-se  a listagem de "Israel" como país de origem nos passaportes dos nascidos em Jerusalém. Vão deixar em branco? Alguém pode nascer numa cidade que não fica em país nenhum? Eu acho que é uma forma de negar que Jerusalém pertença a Israel.
 
Desde a fundação de Israel, o governo americano não reconheceu qualquer soberania sobre Jerusalém, seja de Israel, palestinos ou jordanianos. O que eu acho um erro! Como parte desta política, a embaixada dos EUA  foi estabelecida em Tel Aviv, apesar de uma lei aprovada no Congresso, pedindo a embaixada para ser transferida para Jerusalém. Esse tipo de intervenção externa só vem a prejudicar o status de Jerusalém como a cidade indivisível e eterna do povo judeu.
 
Em 2002, o Congresso aprovou uma lei que estabelece que qualquer cidadão norte-americano nascido em Jerusalém, que faz um pedido especial é capaz de pedir que "Israel" ser escrito como seu país de nascimento.

Em seu artigo Identificando o território Palestina, Judah ou Israel, Oséias de Lima propõe uma vasta análise dos termos ultizados em diferentes épocas e conclui que “Israel trata-se de uma denominação própria dos judeus e designa a terra onde o povo mantém relações privilegiadas com seu Deus.”

Particularmente, eu considero Jerusalém como Capital de Israel, e que deveríamos parar de rotular "oriental e ocidental".






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