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domingo, 26 de setembro de 2010

Teshuvá

"Saber que a porta está sempre aberta e que há um caminho; saber que não há situação irreparável, pode em si servir como um estímulo para o retorno

Teshuvá, retorno, ocupa um lugar central no judaísmo e possui muitas facetas. Assim como as pessoas diferem umas das outras, também diferem seus modos de Teshuvá, seu motivo e sua forma de expressão. Numa definição ampla, Teshuvá é um despertar espiritual, um desejo de reforçar a conexão entre o indivíduo e D'us.

A eficácia da Teshuvá é uma função do sentimento de distância que o indivíduo tem do sagrado. Quanto maior à distância, maior o movimento potencial em direção a uma conectividade renovada. Como disse um sábio judeu, uma corda cortada e remendada é duas vezes mais forte no ponto onde foi rompida.

Este movimento da alma em direção à conexão também pode surgir em quem nunca pecou, mas sente o chamado para se aproximar da santidade. Pois na raiz da noção de teshuvá reside o conceito de retorno, não apenas ao passado, mas à fonte Divina de todo o ser. Embora diversas e complexas todas as formas de retorno têm um núcleo comum: a crença que os seres humanos têm em promover uma mudança interior. Muitos fatores conspiram para que a gente acabe se distanciando do Criador, como educação e hábito, mas segundo os sábios do Talmud, a possibilidade de alterar a realidade pós-fato, foi criada antes do próprio mundo.

Muitos livros e artigos foram escritos sobre teshuvá, fornecendo análises detalhadas dos vários estágios do processo, do início ao fim. Duas características são necessárias e encontradas em cada tipo de teshuvá: a percepção de que o passado, não importa qual tenha sido, é imperfeito e precisa ser corrigido; e a decisão de mudar a direção e seguir outro caminho no futuro. De modo concreto, teshuvá é simplesmente uma volta. Quanto mais calma e estabelecida a vida pessoal, mais aberta é a curva a ser feita.

Qualquer que venha a ser o sentimento primário relativo ao passado, o desejo de fazer teshuvá sempre salta de algum sentido de inquietude ou desconforto. Uma pessoa pode ser vista por outras como pecadora e criminosa, sem ter consciência de sua queda. Tal pessoa dificilmente atingirá o retorno. Do mesmo modo, pode-se chegar ao caminho de volta pela conscientização das imperfeições em si mesmo, que não são evidentes aos outros.

Este enorme obstáculo foi chamado por nossos sábios de "embotamento do coração". O embotamento da mente é facilmente reconhecível como um impedimento para o funcionamento cognitivo; aquele do coração é mais insidioso, uma condição de moral e consciência emocional bloqueadas. Sem esta consciência estimulada, sem algum sentimento de inadequação, nenhuma sagacidade intelectual pode mudar o comportamento de uma pessoa.

Em muitos casos, a própria teshuvá, uma vez a caminho, reúne forças e produz uma "abertura do coração". O bloco inicial contra a conscientização das falhas é totalmente superado. Pois o primeiro despertar da consciência leva a uma abertura mais larga e profunda e a uma reação mais forte.

Um segundo passo para a teshuvá é chamado de decisão para o futuro. Este passo é essencialmente uma continuação do primeiro, e sua força, direção e coerência são amplamente determinadas pela clareza e força do reconhecimento inicial relativo ao passado.

Embora diversas e complexas, todas as formas de retorno têm um núcleo comum: a crença que os seres humanos têm em promover uma mudança interior

Sentir desconforto e explicá-lo dando de ombros ou através de equivalentes verbais, pode não levar a uma decisão para mudar, quanto mais à própria mudança. Por outro lado, o arrependimento genuíno pelas más ações e o reconhecimento das falhas não leva necessariamente a um resultado desejado; pode causar, pelo contrário, um profundo sentimento de desespero e resignação fatalista.

Em vez de promover uma mudança positiva, este desalento, uma das mais sérias aflições da alma, pode fazer com que a pessoa se afunde ainda mais. Tal situação geralmente ocorre quando se leva uma vida de prazeres instintivos ou na busca de valores destinados a insensibilizar os sentidos, temporária ou permanentemente: álcool, drogas, amizades inadequadas.

Estas e outras formas de "diversão" podem obliterar o incômodo ou a insatisfação, mas nada se resolve. Pelo contrário, há um distorcido sentimento de alívio da dor e a falsa ilusão de que se pode seguir em frente como antes.

Assim, o remorso, não importa quão incisivo inicialmente, deve ser acompanhado pela crença na possibilidade de mudança. Neste sentido, o princípio de teshuvá é, em si, uma importante fonte de despertar e esperança. Saber que a porta está sempre aberta e que há um caminho; saber que não há situação irreparável, pode em si servir como um estímulo para o retorno.

É importante lembrar que as resoluções devem ser levadas adiante. Obstáculos estão ocultos pelo caminho. Rotina e hábito, que provocam de início um estado de apuros, não desaparecem simplesmente porque a pessoa decidiu mudar.

Mesmo que não seja imediatamente levada adiante, a decisão é, em si, um passo essencial. Cada decisão positiva, mesmo pequena, é importante.

O Báal Teshuvá (aquele que retorna ao caminho da Torá) é como uma pessoa em viagem que, em algum ponto, decide mudar de direção. Deste ponto em diante, seus passos o levarão a um destino diferente."

Por Rabino Adin Steinsaltz

Fonte: Coisas Judaicas em 30/08/2010

http://hebreu.blogspot.com/2010/08/voce-pode-mudar-sua-vida.html

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Yom Kippur



"... Aos dez dias deste sétimo mês é o dia das expiações; convocação de santidade será para vós, e afligireis suas almas (através do jejum)..." ( Lev. 23).

Yom Kipur, o Dia do Perdão, é o dia mais sagrado e solene do ano, o auge dos Dez Dias de Penitência iniciados em Rosh Hashaná. Neste dia, em cada congregação, os rolos da Torá são retirados da Arca Sagrada e carregados dentro da sinagogas. O Kol Nidrei, a anulação de todos os votos, é recitado antes do pôr-do-sol enquanto a congregação fica de pé, ereta.Sua melodia tradicional infunde em cada um dos presentes um sentimento de reverência. É o início de um dia de jejum e abstinência, quando o material se submete ao espiritual e cada judeu vai examinar seus atos e buscar perdão pelos erros que cometeu contra D'us. É um dia de arrependimento e perdão.

Orações: Durante as orações fala-se o Vidui, uma confissão, e Al Chet, uma lista de transgressões entre o homem e Deus e o homem e seu semelhante. É interessante notar duas coisas: primeiro, as transgressões estão em ordem alfabética (em hebraico). Isto torna a lista bastante abrangente, além de permitir a inclusão de qualquer transgressão que se queira na letra apropriada.

Em segundo, o Vidui e Al Chet estão no plural, o que pretende transmitir a ideia de que o povo judeu é um povo "entrelaçado", onde todos devem ser responsáveis pelos outros. Mesmo não cometendo uma determinada ofensa, pretende-se transmitir uma carga de responsabilidade por aqueles que a cometeram - especialmente se a transgressão pudesse ter sido evitada por aqueles que não arcarão com as culpas.

Durante um longo ano comete o homem toda sorte de erros, atropelos, voluntários, involuntários. O processo da teshuvá (arrependimento, retorno ao bem) não poderá realizar-se magicamente em um dia. A tradição judia coloca ao mês de EluI, último do ano, como prefácio para ir preparando o homem para a reflexão profunda, até o grande caminho interior. Cedo, nas manhãs de Elul se ouve o som do shofar: Desperta povo!

Uma semana antes de Rosh Hashaná, também durante a madrugada, se dizem as orações que se chamam "selichot" - perdões). O 1º de Tishrei é o grande dia, a base para um ano novo e um novo ano de vida. Depois seguirão nove dias até o dia do perdão. Dez dias, para aprofundar-se dentro de si, afastar o mal, aproximar o bem. O processo chega a sua culminância no dia 10º de Tishrei : Yom Kipur.

A expiação, Kipur, na raiz hebraica, refere-se ao "que cobre", ou seja, o castigo que envolve o ato perverso. Tudo o que se pode anular, deter ou parar é o castigo; mas não o ato cometido; esse ato está aí e a única maneira de superá-la é através de uma transcendental modificação da conduta pessoal posterior. Os atos são do homem, seguirão sendo dele, e a conseqüência, sua responsabilidade. Deus pode apagar o castigo, não o ato. O jejum - que acompanha todo o dia do perdão - por sua parte não faz milagre. O jejum do dia não sacrifica nada a favor de Deus, sendo que tal idéia seria eminentemente pagã. O que faz é reconcentrar o homem em seu espírito, afastá-lo, por algumas horas, da servidão do homem ao corpo e a suas necessidades.

Observa-se também que as más ações ou transgressões têm duas polaridades: uma do homem em relação ao homem e a outra, do homem em relação a Deus. A primeira é a da vida diária, exterior, social e inter-humana. A outra, do âmbito da alma, é o segredo da consciência. A primeira é coisa de homens, e os homens têm de resolvê-la: "As transgressões que vão de homem a homem, não são expiadas pelo Yom Kipur, se antes não forem perdoadas pelo próximo ".

Daí que se costuma pedir previamente o perdão de nossos semelhantes, se eles não perdoam, Deus não poderá intervir.

Yom kippur é o dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel.

Durante esse dia, nada pode ser comido ou bebido, inclusive água. Não é permitido lavar a boca, escovar os dentes ou banhar o corpo. Somente o rosto e as mãos podem ser lavados pela manhã, antes das orações. Não se pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem usar eletricidade. O jejum não é permitido para crianças menores de 9 anos, pessoas gravemente enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram a luz há menos de trinta dias.

Se uma pessoa enquanto estiver jejuando passar mal, a ponto de quase desmaiar, deve-se lhe dar comida até que se recupere. Se houver perigo de uma epidemia, e os médicos da cidade aconselharem que é necessário comer a fim de resistir à moléstia, exige-se que todos comam.

Existem outras proibições, além daquelas contra trabalhar, comer ou beber. As relações conjugais são proibidas, bem como o uso de perfumes e ungüentos, exceto para fins médicos. Além disso, sapatos e outras peças da indumentária feitas de couro não podem ser usadas no Yom Kipur, pois não se pode usar nenhum material para o qual seja necessário matar um animal.

Após o Yom Kipur, espera-se que haja festa e alegria, não perdendo de vista o fato de que o feriado é um dia santo de júbilo.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Yom_Kipur

 

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Judaismo

As origens do Judaísmo moderno remontam a Abrão, o primeiro patriarca hebreu com quem o El Berith fez uma aliança eterna - a circuncisão. Com a tomada de Jerusalém e a destruição do Templo, representou uma etapa importante na vida política e religiosa do povo judeu, que privados de seu lugar de culto, viram-se obrigado a desenvolver a vida religiosa em torno da Torah e da sinagoga. Os rabinos que já realizavam um papel importante na Palestina e na Babilônia, passaram a conservação dos princípios e da tradição judaica. Conservando as leis contidas na Torah e desenvolvidas no Talmud, os judeus continuam guardando suas tradições e festas cerimoniais.

A presença judaica constante na Palestina tinha um caráter religioso. Os peregrinos chegavam para orar e fixar residência. Logo, vários núcleos surgiram. O mais importante deles, era a pequena cidade de Safed na Alta Galiléia. No final da Idade Média Safed tornou-se um afamado centro do misticismo judaico, a Cabala.

Apesar de suas ramificações, o judaísmo defende um conjunto de doutrinas que o distingue de outras religiões: a crença monoteísta, e a eleição de Israel como povo escolhido para receber a revelação da Torah os mandamentos de Deus. Mas o que é judaísmo? Isaac Izecksohn responde: Judaísmo é mais que uma religião. “É um sistema de vida cotidiano com regras de comportamento higiênico, dietético, conjugal e social. Um sistema que eleva moralmente o judeu, ao mesmo tempo que o treina na obediência a diversas restrições tornando-o resistente a paixões, tentações e vícios. É também uma escola de justiça social, de respeito à pessoa humana.”

Criadas e desenvolvidas conforme o tempo e os eventos históricos sobre a comunidade judaica, as diversas tradições e doutrinas dentro do judaísmo são seguidas em maior ou em menor grau pelas diversas ramificações judaicas conforme sua interpretação do judaísmo.

Hoje o judaísmo é praticado por mais de treze milhões de pessoas em todo o mundo (2007). Alguns ramos do judaísmo defendem que no período messiânico todos os povos reconhecerão o Eterno como único Deus. Ainda que o judaísmo só vá ser chamado como tal apenas após o retorno do cativeiro dos judeus, na Babilônia, de acordo com a tradição judaico-cristã a sua origem realmente está associada a chamada de Abraão.

Após o exílio, houve o retorno da comunidade judaica para a Judéia aliado a uma renovação espiritual, que desencadeou diversos eventos que seriam fundamentais para o surgimento do judaísmo como uma religião mundial. Entre estes eventos podemos destacar o estabelecimento de um cânon das Escrituras por Esdras, a reconstrução do Templo em Jerusalém e a adoção da noção do "povo judeu" como povo escolhido e através do qual seria redimida toda a humanidade.

As várias seitas que se destacavam no primeiro século antes da Era Comum, disputavam a liderança entre os judeus e, em geral, todas elas procuravam uma salvação messiânica em termos de autonomia nacional dentro do Império Romano: os fariseus, os saduceus os zelotes os essênios Foram os fariseus que obtiveram grande influência dentro do judaísmo, já que após a destruição do Templo de Jerusalém a influência dos saduceus diminuiu. Com o controle da maior parte das sinagogas promovem sua visão de judaísmo, do qual surgiu o judaísmo rabínico. Estes codificaram suas tradições orais nas obras conhecidas como Talmude.

Outro grupo religioso era chamado de samaritanos. Eles continuaram a professar sua forma de judaísmo.

Os judeus também foram se diferenciando ao longo do tempo, em grupos étnicos distintos: os asquenazitas (judeus da Europa e da Rússia), os serfaditas (judeus da Espanha, Portugal e do Norte de África), os judeus do Iêmen, a extremidade sul da península Arábica e diversos outros grupos. Esta divisão é cultural e não se baseia em qualquer disputa doutrinária, mas acabou levando a diferenças na visão de cada comunidade sobre a prática do judaísmo.

O surgimento do Cristianismo no século I da Era Comum se desenvolveu separadamente, como também foi perseguido pelo Império romano. Com a aceitação do Cristianismo como religião oficial do império no século IV desencadeou um conflito que tinha o objetivo de extirpar o paganismo.

A visão do Judaísmo como uma religião que teria desprezado Jesus levou a um constante choque entre as duas religiões. Deu-se início ao mito do deicídio e uma política de converter judeus à força que culminava na expulsão, espoliação e morte, caso não fosse aceita a conversão, o que aconteceu em muitos países. Esta visão antijudaica era compartilhada tanto pelo catolicismo, quanto pelos protestantes (denominação que surgiu no século XVI).

Apesar das diferenças, existe certa unidade nas várias denominações judaicas que surgiram nos dois últimos séculos. Cada uma delas tem uma diferente visão sobre que os princípios que devem um judeu seguir e viver a sua vida. Quanto ao judaísmo rabínico que surgiu do movimento dos fariseus após a destruição do Segundo Templo e que aceita a tradição oral além da Torah escrita, é o único que hoje em dia é reconhecido como judaísmo, e é comumente dividido nos seguintes movimentos:
•Judaísmo ortodoxo
•Judaísmo conservador
•Judaísmo reformista


A Torah é considerado o livro sagrado que foi revelado diretamente por Deus a Moisés. A Torah contém 613 Mishvot a serem observados pelos judeus. Dos quais 248 são afirmativos e 365 negativos. Em seu conteúdo os 613 preceitos podem ser classificados em três categorias: Leis morais e éticas, leis referentes às festas como Pessach, Shavuot, sucot, Purim e leis e mandamentos que estabelecem, por exemplo, o conjunto de leis dietéticas.



O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários.


A sinagoga

É o local das reuniões religiosas da comunidade judaica, um hábito adquirido após a conquista de Judá pela Babilônia e a destruição do Templo. Com a inexistência de um local de culto, cada comunidade desenvolveu seu local de reuniões, e a sinagoga tornou-se o centro de vida comunitária das comunidades da Diáspora. Em sua estrutura destaca-se o rabino como líder espiritual dentro da comunidade judaica e o chazam (cantor litúrgico).

Vestimentas

O povo judeu se distingue através de alguns símbolos usados com parte de sua vestimenta. O kipá é um deles, usado principalmente pelos judeus rabínicos em declaração ao temor a Deus. O Talit é um xale usado para fazer orações. O Tzitzit são franjas presas nas roupas para serem vistas com o propósito de lembrar ao homem os 613 mandamentos da Torah. O Tefilin são caixas adaptadas a tiras de couro usadas durante a oração. Podem ser presas na cabeça (Tefilin shel rosh) ou enrolados nos braços e na mão (Tefilin shel yad).



Menorah
O candelabro de sete braços é um dos mais importantes símbolos da fé judaica. Ele está presente desde o tempo do Tabernáculo até os dias de hoje.




Mezuza É uma caixa tubular que pode ser feita de madeira, vidro ou metal que contém um pequeno pedaço de pergaminho com 22 linhas onde estão escritas passagens bíblicas que fazem parte do shema (Dt 6.4). A Mezuza é também um símbolo da fé judaica. E posta na parte superior direta da porta de entrada de cada lar judaico. É costume tocar nela quando se sai ou entra em casa. O significado religioso é lembrar ao homem da unicidade de Deus.


Shofar É um instrumento feito de chifre de carneiro. Faz alusão ao carneiro sacrificado por Abraão em lugar do seu filho. O toque do shofar é o único mandamento específico para o Rosh Hashaná. Nos tempos antigos o toque do shofar era usado para anunciar eventos importantes ou para alarme de guerra.



Marion Vaz

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