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domingo, 2 de agosto de 2026

Judeus messiânicos são os donos do café Basimta

 

Em recente comunicado, os administradores do café Basimta afirmaram serem judeus messiânicos. Pelo jeito vão continuam apostando na confusão ao manterem o estabelecimento aberto no dia Santo para os judeus,  o shabbat. 

Religiosos Haredim insistem no conflito tentando intimidar os donos do bistro e clientes que frequentam o café, pelo quinto sábado consecutivo.



Será que vale a pena mesmo esta afronta a crença judaica só para ganhar mais alguns shekel? Até então, toda a discussão rolava entorno da liberdade de tomar um achocolatado a qualquer hora do shabbat. Mas administradores do Bistrô afirmaram ser judeus que seguem a crença messiânica. Seria esse o motivo do bistrô está descaracterizando o shabbat por conta do lucro financeiro e também em função das suas próprias crenças?

Nada contra a crença messiânica, mas se o estabelecimento abre suas portas durante todos os dias da semana,  por quê incluir o shabbat? E justamente num bairro onde a maioria dos moradores são judeus ultraortodoxos?  

Clientes e moradores estão divididos e o que se vê nas imagens são policiais israelenses tentando manter a "paz" usando a força bruta contra cidadãos religiosos.  Bate boca na entrada do Bistrô e dedos apontados contra judeus.







Cerca de 300 mil judeus ultraortodoxos vivem em Jerusalém, estudam, fazem suas orações e guardam  o shabbat há anos.  E dentro do Basimta um grupo de 20 pessoas saboreando café e biscoitos resolvem estabelecer as novas regras sobre a guarda do shabbat? Não tem café da manhã nos hotéis em Jerusalém ou nas casas dessas pessoas?

Durante todo o mês do conflito observamos ações e comentários ridicularizando os judeus por defenderem suas tradições, como se eles estivessem totalmente errados. 

Jerusalém é a capital do Estado de Israel e também o centro religioso do país.  Respeitem o shabbat. 

Hoje parece apenas uma divergência de opinião,  mas o que vai vir depois? Civis e turistas vão ditar as regras num país judaico? vão se opor às orações no Kotel,  a leitura da Torah nas Sinagogas, a circuncisão? 

Sinceramente,  tem algo errado.  E não é por parte dos Haredim. 


Marion Vaz 



sexta-feira, 31 de julho de 2026

Haredi - Aquele que teme a D-us


Religiosos Haredim em Israel contam com cerca de 13,6% da população atual e segundo pesquisas é o grupo que mais cresce podendo chegar a 16% em 2030.  São judeus ultraortodoxos que vivem em maior parte em Jerusalém e Bnei Brak e grupos que se deslocaram para outras cidades como Beit Shemesh e Haifa.

Fazem parte da população religiosa de Israel e tem como fundamento o estudo em tempo integral em yeshivot e as leis da Torah. Desde a independência de Israel (1948) eles receberam a isenção ao serviço militar e subsídios do Governo quando eram um grupo pequeno.


O conflito em Jerusalém e outras partes do país continuam e vem se agravando à medida que os Haredim fazem protestos para manter uma posição separatista e livres de influências seculares. 

Por outro ângulo, Israel vem se projetando mundialmente como uma nação em crescimento e desenvolvimento tecnológico em várias áreas e precisa manter o Tzahal (Exército Israelense) forte e destemido.

O serviço militar obrigatório orienta o recrutamento para moças e rapazes, independente do contexto social ou religioso, mas os Haredim não aceitam esta condição e assim geram ressentimento entre a população que paga seus impostos e mandam seus filhos para o exército. 

Os conflitos em Jerusalém são ofensivos, tanto para com os policiais que tentam manter a ordem e precisam agir de forma drástica para controlar a situação, quanto para os judeus ultraortodoxos que sofrem agressões, prisões e sanções judiciais. 

Com certeza não dá para evitar determinados conflitos internos num país desenvolvido, sejam eles por causa da religião, política ou social.  Confesso que é difícil ver as cenas dos conflitos, mesmo porque a população deveria estar unida contra um inimigo maior, que a todo momento, procura oportunidade para destruir Israel. 

A definição da palavra haredi no leva para o âmbito espiritual: Aquele que teme a D-us. Interessante que o termo remonta ao livro do profeta Isaías (66.5) que mostra conflitos entre irmãos por causa da fé. 

Se por um lado os Haredim defendem a sua origem e devoção, por outro lado a população civil, ora respeita, ora desrespeita esta crença que faz de Israel um país judaico?

E o que acontece, no entanto, em relação aos Haredim, como "aquele que teme a D-us" ?  Por que esta divergência no cumprimento da lei civil do alistamento?  Aquele que treme diante da Palavra do Eterno, não fará justiça? Não trará honra para sua casa, sua família, por meio do cumprimento da lei do alistamento?  

Com certeza, o Governo de Israel pode criar condições especiais para que os judeus ultraortodoxos que se alistarem, possam servir ao país e manter sua espiritualidade e suas orações tradicionais. Lembrando aos Haredim que estão no Tzahal, que cada uma das experiências e todo aprendizado vai agregar valores para suas vidas. 



Marion Vaz

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Conflitos em Jerusalém


Dois conflitos em Jerusalém envolvendo religiosos marcaram a semana com certa tensão. O primeiro diz respeito à Lei do serviço militar que permite que os ultraortodoxos fiquem fora do alistamento. A mudança na lei já foi alvo de debate e segue a passos lentos. Esta semana o Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que poderia isentar os religiosos nessa obrigatoriedade.

Já mencionamos o assunto aqui no post do Eretz Israel e você pode conferir os detalhes e necessidades da convocação. Por outro lado, os residentes do país continuam debatendo sobre o assunto e afirmam que a lei é para todos. Mas com as eleições chegando e o país enfrentando 3 ameaças de guerras ao mesmo tempo, Faixa de Gaza, Líbano e Síria, como fazer aliança com os partidos e manter as cadeiras no Parlamento?

O segundo conflito envolveu o Café Basimta que abriu suas portas a cerca de um mês e vem promovendo o lugar nas redes sociais. Judeus Haredim fizeram protesto no local por causa do shabbat. A administração do Café resolveu abrir todos os dias da semana, oferecendo um ambiente de aconchego para quem quer aproveitar o cardápio, até mesmo no sábado.

Para os judeus é uma afronta às leis da Torah e eles não mediram esforços para mostrar o descontentamento. Fizeram protestos e até quebraram vidraças. Os policiais foram chamados para impedir o acesso dos Haredim e proteger a propriedade e os demais clientes.


O protesto gerou polêmica, mas também engajamento nas redes sociais. Clientes dos bairros próximos foram ao Bistrô para conhecer e também dar apoio contra os manifestantes. Triste mesmo foi ver os ortodoxos sendo arrastados e, na minha opinião, desrespeitados por moradores e até por turistas por querer a guarda do shabbat.

Quando fui a Jerusalém em 2022 cheguei no shabbat e sim, todos os estabelecimentos comerciais respeitavam as normas e mantinham as portas fechadas até o pôr do sol.  Ao anoitecer presenciei a mudança de horário e as lojas começando o expediente de trabalho. O povo foi chegando para comer, beber, passear e conversar e como era a festa do Sucot houve música e dança em plena Ben Yeruda street. 

O único estabelecimento aberto às 15 horas da tarde era o McDonald`s, que no caso era uma franquia, e mesmo assim porque todas as funcionárias no atendimento eram árabes israelenses. Não desperdicei o combo do big mac. Mas confesso que acho imprescindível que os judeus preservem as lei do shabbat e todos os seus costumes e tradições porque é o que caracteriza a nação de Israel como judaica.


Marion Vaz