sábado, 5 de março de 2022

Por que Davi matou golias?

Uma das batalhas mais interessantes narradas no texto bíblico é sem dúvida aquela em que um jovem se dispõe a guerrear com o opressor de Israel (1 Sm 17). Davi, um jovem com coragem bastante para encarar um gigante e Golias, um guerreiro audacioso e cheio de confiança na sua própria força.

Talvez a diferença estivesse mesmo naquilo ou em quem se depositava a confiança. Davi não participava daquela guerra, não tinha armadura e muito menos idade suficiente para ingressar no exército de Israel. Estava ali para fazer um favor ao pai, para saber como estavam os irmãos e levar suprimentos. 

Ele chega como um entregador e ouve as palavras ofensivas de Golias em relação ao D-us de Israel e o povo. Por quarenta dias o guerreiro filisteu ofende e desafia o exército do D-us Todo Poderoso. Com certeza os homens estavam desanimados e mortificados de medo. Palavras mudam o nosso modo de pensar e interferem nas nossas escolhas.

E Davi fica indignado ao ouvir as agressões verbais. E mesmo que o rei Saul tivesse feito promessas e até a mão de sua filha em casamento para quem conseguisse vencer seu oponente, nenhum homem se apresentou para a batalha.

Então, Davi resolve se intrometer.  As palavras de ódio que proferiu mostram a sua revolta: "quem é este incircunciso filisteu para afrontar o exército do Deus vivo?" (17.26). Talvez o dispositivo que faltava fosse mesmo a indignação por causa da maneira como foi tratado.

Mas, voltando ao tema do artigo de hoje: por que Davi, apesar das suas limitações, se dispõe a enfrentar um gigante visivelmente forte? Podemos ler na história bíblica que Davi era considerado o menor da casa de seu pai e que seus irmãos também não lhe tinham respeito.

Assim que o viram conversando com outros soldados vieram tirar satisfação. E foi Eliabe, o irmão mais velho, que descreve com ironia e desprezo, a função de Davi em cuidar das ovelhas da casa (17.28). Podemos perceber que Davi enfrentou situações adversas dentro do seu próprio lar. E como não bastasse o desprezo dos irmãos, ainda ouvia os risos e ofensas de Golias ao se referir a Israel como um povo covarde.

Ao se apresentar ao rei Saul fala confiante de suas conquistas: matei um leão e um urso. É possível que alguém diga que é irrelevante, que não se pode comparar tais façanhas a liderar uma batalha em campo aberto. E Davi experimenta uma armadura que não cabe nele, que incomoda. Então resolve agir por conta própria e suas suas próprias armas.

Posso imaginar todo o exército recuando e Davi ali, sozinho, com uma espécie de estilingue e cinco pedras que pegou num riacho. Nada promissor. A afronta verbal recomeça e Golias ri alto, desprezando o filho de Jessé. 

E Davi profere as palavras mais lindas e mais sincera de toda a sua alma: "Tu vens a mim com espada, e com lança e com escudo. Porém eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos, a quem tens afrontado".

Não eram palavras simples. Era um ato de fidelidade, de compromisso, de quem sabia de onde viria a sua vitória.

E por que ele mata um gigante? Para que todos soubessem que há D-us em Israel. 


Marion Vaz

 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Neve - O orvalho do Hermom sobre Jerusalém


 







A neve desceu ontem em Jerusalém às 9.30 horas da noite (horário local).  A Capital de Israel amanheceu hoje branca com suas ruas cobertas pela neve.  Com temperatura a zero grau muitos israelenses saíram as ruas para comemorar e brincar com a neve.

Interessante notar que, nesta referência bíblica no livro de Salmos, pode ser uma referência ao inverno em Jerusalém:

"Como o orvalho do Hermom que desce sobre os montes de Sião".  
Salmos 133.3



Chag Sameach Iom 



segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A Aliança do Eterno na História de Israel


Eu tenho muito carinho pela história de Israel que é rica em detalhes de toda a trajetória que os Bney Yaakov fizeram, para tomar posse da promessa feita aos patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó. Com efeito, muitas foram as batalhas que tiveram de enfrentar para que a promessa se cumprisse, na geração daqueles que enfrentaram os quarenta anos de caminhada no deserto.


A posse da terra no período bíblico não era apenas para se estabelecerem num pequeno espaço do planeta. Não. A entrada de Israel na Terra Prometida é uma história a ser repassada de geração a geração e chegou aos dias de hoje como uma transferência de valores. Um legado. 


Cada parte do território de Israel não é apenas um lugar de morada, mas de permanência. Uma herança eterna. O povo da aliança não poderia viver em qualquer outro lugar a não ser naquele para o qual estavam predestinados.


É muito difícil olhar para Israel hoje e não fazer referência a esse passado, aos patriarcas, e a todos os “heróis” que, no decorrer dos anos, se esforçaram para que hoje fossemos uma nação. Devemos muito a cada um deles, pelo empenho, pela determinação, pela coragem a que se dispuseram em defender seus ideais. Somos fruto de muito trabalho, de muitas lágrimas e perdas que aconteceram no caminho. 


O território tem cidades e nomes de lugares que encontramos nos textos bíblicos que reforçam e autenticam a promessa. A história permanece intacta, emoldurada nos corações daqueles que vivem de norte a sul, leste a oeste do país. Devemos respeitar a memória de todos que lutaram, incansáveis, por cada pedacinho de terra de Eretz Israel. Devemos respeitar o povo judaico que permanece nas cidades hoje onde escolhem viver, criar seus filhos e netos como parte do processo da caminhada.


Israel hoje é um país de alta tecnologia, respeitado por grande parte das nações do mundo, governado com democracia, valorizando a vida de cada cidadão, onde a convivência pacífica é simbolo da paz que tanto se deseja. Cada pessoa representa sua família, seus antepassados, suas crenças, suas tradições.


Que sejamos dotados desta capacidade, por fé, de dar continuidade a história, o legado, a promessa.



Marion Vaz


terça-feira, 23 de novembro de 2021

Passaporte Verde para entrar em Israel

 


Aeroporto Ben Gurion - Tel Aviv


Visitar Israel é o sonho de milhares de pessoas de todo o mundo. A Terra Santa, ou Terra Prometida manteve os portões do Turismo fechado por muito tempo, devido a pandemia do Covid-19 que se alastrou por todos os países. 

O governo israelense tomou as medidas necessária para conter o avanço do coronavírus no país, com distanciamento social, uso de máscaras, vacinas e lockdown. E como já era de se esperar a população conseguiu superar as dificuldades.

Mesmo abrindo as portas para o turismo algumas regras foram impostas a quem deseja ver de perto os lugares sagrados e a cidade santa de Jerusalém. 

Turistas que desejam viajar para Israel precisam receber o passaporte verde e seguir as regras estabelecidas pelo governo israelense.

No momento, só será permita a entrada de pessoas que tenham sido vacinadas com a 1ª e 2ª dose num prazo de menos de seis meses. No entanto. será aceita uma terceira (reforço) desde que comprovada através de documentação.

Um teste de PCR negativo deve ser realizado num prazo de 72 horas antes do voo para Israel.

Outras exigências poderão ser consultadas no site do governo.



domingo, 17 de outubro de 2021

Aliah - O Retorno a Pátria




Aliah, o termo que em hebraico significa "subida", define bem o movimento dos judeus em direção à terra de Israel. Desde os tempos bíblicos havia este sentimento de habitar na terra prometida a Abraão, Isaque e Jacó. 

A Lei do Retorno consiste em que todo judeu, seu cônjuge, filhos e netos tem direito de fazer Aliah. Todo judeu que optar pela imigração, parte de seu país de origem para Israel e contribui de maneira distinta para o crescimento da população israelense no território.

E no decorrer da história podemos notar que houve inúmeras tentativas desse retorno e temos número considerável de judeus, em épocas e contexto diferentes, retornando à pátria.

Indiscutivelmente, posso afirmar que, uma nova sociedade foi formada muito antes de 1948 quando Israel finalmente conseguiu sua independência política. Havia um sonho sionista em curso na mente e no coração daqueles que já habitavam no território e também daqueles que lutavam para a criação do Estado de Israel.

A Aliah impulsionou a base política, econômica e cultural da sociedade judaica bem como o crescimento demográfico do país, tão importantes nos primeiros anos de independência. O desenvolvimento de instituições sociais, riquezas culturais e prosperidade tecnológica deve-se aos milhares de engenheiros, acadêmicos, cientistas, artistas e capital humano de todas as demais áreas que contribuíram de forma única para fortalecer Israel.

As ondas de imigração que começaram por volta de 1882, considerada a primeira aliah, prosseguiram nos anos seguintes 1904, 1914, 1918, 1924, 1929, 1949, 1950, 1954, 1984, 1990 e 1991. 

Mas a Lei do Retorno não se baseia no regresso em massa de judeus para o território de Israel visando crescimento demográfico desordenado. Hoje, existe um processo de inscrição, um programa de aceitação, acompanhamento, direitos e benefícios para o olim em sua nova jornada. 

A Aliah não é uma guerra do retorno, mas um processo assistido desde o primeiro contato. Não se trata de uma recolocação territorial, trata-se de um acolhimento. Quando uma pessoa ou família chega em Israel ela é abraçada pelo país, e uma instituição já se incumbiu de organizar a sua entrada, o voo, curso de hebraico e outros benefícios que poderão facilitar a sua estadia e adaptação nos primeiros meses.

Os novos residentes vão enfrentar desafios desde a escolha do tipo de comunidade em que querem ingressar à adaptação a cultura, sociedade e até mesmo as diferenças climáticas. Há quem diga que um ano é pouco para se adaptar totalmente, mas, que a escolha pessoal de viver em Israel, de fazer parte da sociedade judaica vai, aos poucos, superando todos os conflitos internos.

Outro fator importante refere-se a religiosidade, assim, o retorno à pátria tem sua contribuição espiritual na vida de todos aqueles que fizeram aliah no passado e nas pessoas que chegam a Israel todos os anos. E independente do grau de religiosidade, todos os olim estão debaixo da mesma atmosfera e são participantes das bênçãos do Eterno.


Marion Vaz