quarta-feira, 8 de junho de 2011

Yom Shavuot





1. Shavuot no calendário judaico.

Shavuot palavra que em hebraico significa semanas. Shavuot é uma das três festividades de peregrinação nas quais a visita a Jerusalém e ao Templo era obrigatória. As outras duas festividades são Pessach e Sucot.

2. Denominações da festa
·  Chag HaShavuot - Festa das Semanas, que conclui o período de sete semanas, no qual se conta o Omer. Assinala o começo da colheita do trigo. 

·  Chag HaBikurim - Festa das Primícias - "E no dia das primícias ordenes aos filhos de Israel e digas: ao oferecer-me vossos sacrifícios cuidado em fazê-lo em tempo, nas semanas sagradas, e terão reunião santa, e não realizarão nenhum trabalho. (Nm 28:2). Sobre os pães da primícia, que se sacrificam no Templo, e sobre o período das primícias, que se inicia em Shavuot, cada um é imposto a trazer primícias das sete espécies perante D'us, no Templo. (Dt 26). 

·  Zman Matan Toratenu - (Data da Entrega da Nossa Lei) - Esta denominação não consta na Torá. Foi atribuída pela tradição popular como o dia em que o povo de Israel recebeu de D'us por intermédio de Moisés, os Dez Mandamentos, no Monte Sinai. O Decálogo com os mandamentos básicos do judaísmo, estão gravados nas duas Tábuas da Lei. 


·  Chag HaKatzir - (Festa da Colheita) - Baseia-se no versículo "Vechag hakatzir bucurei Masseichá, asher tizrá bassadê", ou seja: "é a festa da colheita das primícias frutos do teu trabalho que houveres semeado no campo".(Ex 23. 16). 





·  Pentecostes - Palavra grega que significa "qüinquagésimo", pois em Shavuot celebra-se o qüinquagésimo dia após o início da contagem dos dias do Omer, mencionado na primeira noite de Pessach. 

·  Atséret - A palavra "Atséret" significa "reunião", e Atséret é o único nome pelo qual Shavuot é chamado no Talmud. Os rabinos do Talmud consideravam Shavuot como o dia de encerramento da festividade de Pessach, que devia ser comemorado como um dia de "reunião solene" e "convocação sagrada". Eles consideravam que a relação entre Shavuot e Pessach era a mesma que entre Shemini Atséret e Sucot. Shemini Atséret era a conclusão de Sucot e Shavuot a conclusão de Pessach.

3. Shavuot - Festa campestre e festa religiosa

O caráter mais antigo de Shavuot é o de festa campestre. No mês de Sivan termina a colheita de cereais. Um momento de tal importância na vida do povo dedicado ao cultivo da terra, não podia transcorrer sem a recordação de D'us, e sem uma exteriorização de gratidão. Assim, pois, dos próprios produtos que, graças à proteção divina puderam ser extraídos do solo, eram separadas as primícias, como oferenda. Por isso Shavuot é chamada também, Chag Habikurim, Festa das Primícias.
Na época do Templo, Shavuot se caracterizava pelas peregrinações. Grandes grupos de agricultores afluíam de todas as províncias e o país adquiria um aspecto animado e pitoresco. Os peregrinos se organizavam em longas caminhadas, e dirigiam-se para Jerusalém, acompanhados durante o trajeto pelos alegres sons de flauta.
Em cestos decorados com fitas e flores, cada um conduzia a sua oferenda; primícias de trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas, tâmaras. Produtos que deram renome ao solo de Eretz Israel. Chegados à Cidade Santa, eram acolhidos com cânticos de boas vindas e penetravam no Templo, onde faziam a entrega dos seus cestos ao sacerdote. A cerimônia se completava com hinos e toques de harpas e outros instrumentos musicais.

4. As Sete Espécies

Em "Chag HaShavuot" a entrega de "bikurim" é simbolizada por sete espécies, frutos da terra e do trabalho dos hebreus.
·  Trigo e cevada (chitá usseorá) são produtos de inverno, que se beneficiam com a estação das chuvas. A cevada amadurece antes do trigo, logo nos primeiros dias de primavera, na época de Pessach. O Omer era uma medida de cevada que se trazia ao Templo a partir do segundo dia de Pessach. O trigo, por amadurecer mais tarde, só era levado ao Templo, por ocasião de Shavuot.
·  Uva (Guefen) - em Israel, geralmente, a uva só amadurece durante os meses de Tamuz e Av (junho e julho). Porém, em algumas regiões, pode-se já colher alguns cachos em Sivan, na época de Shavuot. A Bíblia nos fala do episódio de exploradores, enviados por Moisés, de enormes cachos, que eram tão pesados a ponto de se tornar necessário carregá-los a dois, sobre um bastão. Cultiva-se a uva atualmente nos montes da Judéia, e as grandes plantações se encontram em Rishon Le Tzion e Zichron Yaacov.
·  Figo (Teená) - descansar à sombra de seu vinhedo e de sua figueira, que representava para nossos antepassados o ideal de uma vida de paz. A figueira cresce na montanha e requer muito pouco tratamento. Compara-se a Torá ao figo: "O figo, ao contrário de todas as outras frutas, é inteiramente comível. O mesmo se passa com as palavras da Torá; nenhuma é inútil". Encontra-se, hoje em dia, em Israel, figos frescos e figos secos de excelente qualidade.
·  Romã (Rimon) - existia na Terra de Canaã, no momento da conquista de Josué (Números XII,23). Ela amadurece somente no fim do verão (agosto, setembro). Em Shavuot não se podia trazer então a fruta, porém as flores da romã, que enfeitavam os cestos. Para definir um homem cheio de méritos, diz-se que ele está tão completo de mitzvot quanto a romã de grãos.
·  Oliva (Zait) - o país de Israel era tão rico em óleo, que o rei Salomão pode pagar com óleo os cedros do Líbano, que ele havia recebido do rei Tyr. A oliva amadurece durante os meses de Elul, Tishrei (setembro, outubro) e, portanto, o óleo só era trazido ao Templo no fim do verão.
·  Tâmara (Tamar) - nossos sábios explicam que não se trata do mel das abelhas, mas do açúcar das frutas e, mais em particular, da tâmara (tamar). A tamareira cresce em abundância no vale do Beit Shean e nas margens do Kineret. Esta árvore dá à paisagem um ar de nobreza incomparável. O salmista compara sua crença à do justo," que floresce como uma tamareira".

5. Costumes de Shavuot

Os três dias que precedem Shavuot dedicam-se, geralmente, ao estudo da Bíblia e de outros textos sagrados. As pessoas preparam-se, assim, para receber a festa, tal como os israelitas do deserto se aprontavam, por ordem de Moisés, "para o terceiro dia". Costuma-se passar a primeira noite de Shavuot em vigília, entregando-se a discussões sagradas com alguns amigos. O Tikun Leil Shavuot, espécie de antologia em que figuram fragmentos de todos os livros da Bíblia, como também dos tratados do Talmud até o Zohar (obra fundamental da Cabala), serve de material para as leituras dessa noite.

Na Sinagoga

No serviço religioso realizado na sinagoga, é incluído a leitura da promulgação dos dez mandamentos. Em várias comunidades costumava-se recitar os versículos de "Akdamot" antes de ler a Torá, com entonação especial e sensibilizante.

Apesar da desaprovação inicial de algumas antigas autoridades por achar ser uma imitação de certos ritos da Igreja, as sinagogas e lares, em Shavuot, são decorados com plantas, flores e ramos de árvores, o que enfatiza a origem agrícola desta festividade.

No lar

Nos lares, são preparadas comidas especiais, preferencialmente lácteas e pratos adoçados com mel. Este costume tem uma origem muito interessante, pois deriva de uma passagem do Cântico dos Cânticos, do rei Salomão, que diz: "mel e leite há sob tua língua", o que significa que a Torá é tão doce como o mel, tão nutritiva como o leite.

6. Meguilat Ruth 



Ruth é a heroína moabita do livro bíblico de Ruth e antepassada do rei David. Ruth, que era filha do rei de Moab, casou-se com um israelita e viveu com a família dele em Moab. Quando seu marido morreu, sua sogra, Naomi, incentivou- a voltar para casa, Ruth, no entanto, recusou- se a abandonar a idosa Naomi, prometendo ir com ela e aceitar seu povo e seu D'us (Ruth 1:16). Naomi então a instruiu nos princípios e práticas do judaísmo, e Ruth tornou-se uma convertida devota. Naomi e Ruth chegaram a Belém (Beit Lechem), em Yehudá, "no começo da colheita de cevada" (Ruth 1:22). Ruth, que não semeou nos campos de Israel, recolhe espigas que caem por detrás dos ceifadores e, assim, ganha o pão para si e para sua sogra. A moabita continua a obedecer aos conselhos de sua sogra, pois sabe que todos eles são produto de sua sabedoria e seu amor profundo. Após viver algum tempo em Belém em grande pobreza, Ruth casou mais tarde com Boaz, um parente de seu falecido marido. Embora Ruth fosse fisicamente incapaz de ter filhos, D'us realizou um milagre e ela concebeu. Ruth sobreviveu até o reinado de seu tataraneto Salomão. 

Em Israel, nos jardins de infância, são organizadas para esta data festas especiais antes da vinda do feriado. Nestas festas trazem as crianças cestos de frutas e ornamentam estes cestos com flores que lembram a todos a "festa da ceifa".



Vamos lutar por Gilad Shalit



Quase cinco anos depois do sequestro, Noam e Aviva Shalit, pais do soldado, decidiram entrar com processo como parte civil por "sequestro" com circunstâncias agravantes, já que o filho permanece "retido como refém" e pode ser vítima de "atos de tortura ou barbárie".

Gilad Shalit foi capturado no limite da Faixa de Gaza em 25 de junho de 2006 por um comando de três grupos armados palestinos de Gaza, um deles ligado ao Hamas, 

Vamos lutar por Shalit!


terça-feira, 7 de junho de 2011

David Ben Gurion (1886 - 1973)



Biografia
1886 - Nasce em Plonsk David Grin, filho de Victor Grin e Sheindal Fridman Grin. Anos depois, ele adotaria o nome de David Ben Gurion.

1900 - Muito jovem David adere ao movimento juvenil sionista chamado Ezra.

1903 - Viajando a Varsóvia para completar seus estudos, David adere ao Poalei Tzion, partido sionista trabalhista.

 
1906 - David parte para a Palestina. Instala-se em colônias agrícolas, trabalhando duramente o solo de Eretz Israel.

1907 - Participa da fundação do HaShomer, uma associação judaica de defesa contra o banditismo que imperava, promovido pelos árabes.

1910 - David, já com o sobrenome de Ben Gurion, passa a escrever para o jornal Ahdut.

1911 - Participa, em Viena, como delegado, do congresso do partido Poalei Tzion.

1913 - Toma parte no XI Congresso Sionista em Viena.

1915 - Ben Gurion e Ben Zvi, fundadores do jornal Ahdut, são expulsos da Palestina pelas autoridades turcas. Parte para os EUA.

1917 - David alia-se a Jabotinsky na constituição da Legião Judaica, brigada militar que lutaria no Oriente Médio ao lado dos ingleses. Nesse ano, o governo inglês aprova a Declaração Balfour, com o propósito de estabelecer um Lar Nacional Judaico na Palestina. Em Nova Iorque, David casa-se com Paulina Munweis.

1918 - Com a Legião Judaica, David vai ao Egito. Ao terminar a guerra, volta à Palestina.

1920 - É um dos principais articuladores na fundação da Histadrut, o Sindicato Real dos Trabalhadores. É eleito seu primeiro Secretário-Geral.

1922 - A Conferência da Sociedade das Nações de San Remo consagra o mandato britânico na Palestina e a criação do Lar Nacional Judaico.

1930 - David participa da fundação do Mapai, o partido trabalhista de Eretz Israel.

1933 - No XVIII Congresso Sionista realizado em Praga, Ben Gurion é eleito membro do Executivo da Agência Judaica e da Organização Sionista Mundial.

1935 - Ben Gurion é eleito presidente do Executivo Sionista e chefe da Agência Judaica, embrião do futuro governo judaico na Palestina.

1936 - O governo inglês envia à Palestina uma comissão, chefiada por Peel, para apurar as razões das desordens que agitam a região. Ben Gurion é um dos principais entrevistados.

1937 - A Comissão Peel propõe a Partilha da Palestina entre os árabes e judeus. No XX Congresso Sionista, que se realiza em Zurique, David apóia a proposta, mas o Congresso a recusa.

1939 - É publicado pelo governo inglês o Livro Branco, que reduz drasticamente a cota de imigração judaica na Palestina. Outra proibição constante neste documento: que os judeus adquirissem terras na região. Eclode a 2a Guerra Mundial. Ben Gurion diz: "Precisamos apoiar a Grã Bretanha como se o Livro Branco não existisse, e lutar contra o Livro Branco como se não houvesse guerra."

1940 - Ben Gurion segue para os Estados Unidos. Pede apoio para a revogação das restrições impostas pelo Livro Branco.

1942 - Na conferência sionista realizada em Nova Iorque, Ben Gurion vê seu "Programa de Biltmore" totalmente aprovado. O "Programa" propõe a criação de um Estado Judeu na Palestina.

1946 - Ben Gurion é pela segunda vez nomeado presidente do Executivo da Organização Sionista Mundial. Também é eleito Ministro da Defesa no Executivo da Agência Judaica.

1947 - A Grã-Bretanha renuncia ao Mandato sobre a Palestina. A Organização das Nações Unidas adota o plano de Partilha da Palestina que é aceito pelos judeus e recusado pelos árabes.

1948 - David Ben Gurion proclama a Independência do Estado de Israel. Torna-se seu chefe de governo provisório e enfrenta as tropas dos países vizinhos que invadem o país. David assume o comando das operações militares.

1949 - Realizam-se as primeiras eleições políticas no Estado de Israel para a formação do Parlamento. O Dr. Chaim Weizmann é eleito presidente, cabendo a Ben Gurion a formação do primeiro gabinete. Ele assume os cargos de Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa.

1951 - O presidente Harry Truman recebe a visita de Ben Gurion em Washington, na Casa Branca.

1952 - O Parlamento israelense aprova o Acordo de Reparações com a Alemanha Ocidental que Ben Gurion acertara com Adenauer.

1953 - Ben Gurion resolve retirar-se da política por dois ou três anos. Renuncia, transferindo o seu cargo a Moshe Sharett. Pela primeira vez, vai viver no Kibutz Sde Boker.

1955 - David volta ao governo, como Ministro da Defesa. Sua ação à frente da pasta é intensa. Em represália às sabotagens dos terroristas, ordena ataques às posições militares egípcias em Gaza. Nesse mesmo ano, Ben Gurion volta à Presidência do Conselho.

1956 - Nasser nacionaliza o canal de Suez. Inglaterra, França e Israel concluem um acordo secreto em Sèvres, com o intuito de modificar a decisão do líder egípcio. Tropas de Israel ocupam o território da Península do Sinai.

1957 - A ONU envia uma força militar para ocupar a Faixa de Gaza, que está sob o domínio de tropas israelenses. Ben Gurion, que planejara a Campanha do Sinai para eliminar os terroristas de Gaza, determina que os soldados de Israel deixem o território.

1959 - O Mapai, partido trabalhista de Israel obtém alta porcentagem de votos nas eleições que se realizam. Ben Gurion forma um governo de coalizão.

1960
- Ben Gurion viaja, em caráter oficial, ao exterior. Encontra-se com o general De Gaulle, com o presidente Eisenhower e também com Adenauer. Nessa ocasião, Ben Gurion anuncia a captura de Adolf Eichmann.

1961 - Nas eleições que se realizam em Israel, o Mapai perde cinco cadeiras. Ben Gurion forma um novo governo e mantém-se na Presidência do Conselho e no Ministério da Defesa. David encontra-se com o presidente Kennedy em Washington. Visita o Canadá e a Inglaterra.

1963 - David Ben Gurion renuncia e anuncia sua decisão de dedicar-se à compilação de suas memórias no Kibutz Sde Boker, no Neguev. Levi Eshkol é designado para formar o novo governo.

1965 - Rompendo com o Mapai, Ben Gurion funda outro partido, o Rafi. O partido nada consegue nas eleições que se realizam. Ben Gurion é derrotado.

1966 - Em Israel, realizam-se as festas nacionais em comemoração ao 80o aniversário natalício de Ben Gurion.

1967 - Graves incidentes ocorrem na fronteira com a Síria, causados pelas atividades dos terroristas palestinos. Nasser exige a retirada das tropas da ONU da fronteira entre o Egito e Israel. O Egito fecha o estreito de Tiran à navegação israelense. Moshé Dayan assume o Ministério da Defesa. Eclode a Guerra dos Seis Dias.

1968 - Morre a mulher de Ben Gurion, Paulina Munweis. Ela é sepultada no cemitério de Sde Boker. É um grande golpe para o estadista israelense. Nesse ano, ele se dedica a coletar dados para escrever suas memórias.

1969 - Em viagem que realiza pela América do Sul, Ben Gurion faz escala no Brasil. Permanece alguns dias em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde da entrevistas aos jornais e mantém contato com autoridades brasileiras.

1970 - Ben Gurion, aos 84 anos, decide afastar-se da vida pública e renuncia à sua cadeira de deputado no Parlamento israelense.

1973 - Durante os festejos comemorativos do 25° aniversário da Independência de Israel, David Ben Gurion é um dos líderes israelenses mais citados pela imprensa. Ele é delirantemente aplaudido pela multidão quando aparece em público para assistir aos desfiles militares. Em novembro deste ano, David sofre um derrame cerebral. Alguns dias depois, morre no Hospital Tel Hashomer, em Tel Aviv, aos 87 anos. 

"No Neguev, a criatividade israelense encontraria seu maior desafio Ben-Gurion


domingo, 5 de junho de 2011

Canção da Judia de Varsóvia

Poema de Jorge Amado, escritor brasileiro, agora faz parte do acervo digital do Yad Vashem em Israel


Meu nome, já não o sei..
Só de Judia me chamam.
Meu rosto já foi bonito, na primavera em Varsóvia.
Um dia, chegou o inverno,
Trazido pelos nazistas;
E nunca mais quis ir embora.
Um dia já fui bonita,
Tive noivo, e tive sonhos.
Trazidos pelos nazistas
Veio o terror, veio a morte.
As flores se acabaram...
As criancinhas também.
Meu noivo foi fuzilado na madrugada do inverno.
Alegres jardins de outrora hoje já não existem.
Nunca mais verei as flores.
As criancinhas morreram de fome, pelas sarjetas,
Furadas de baionetas, nas diversões dos nazistas..
Morreram as flores também.
As aves, para onde foram?
Cadê Varsóvia sorrindo?
Está Varsóvia gemendo...
Está Varsóvia morrendo...
Tão lindo era meu nome, poema para o meu noivo!
Riu o nazi junto a mim:
"Judia que és bonita"
- Judia não tem beleza, judia nem nome tem...
Tomou da minha beleza nas suas mãos assassinas,
Quem me dera ter morrido na madrugada do inverno!
Sou pobre moça judia na cidade de Varsóvia...
Ontem mataram meu pai na vista de minha mãe.
Em campo de concentração minha beleza acabou.
Meu nome, já não o sei - só de judia me chamam.
Nunca fiz mal a ninguém,
E tanto mal que me fizeram!
Coração não tem os nazis...
São feras que se soltaram pelas ruas de Varsóvia.
Inverno que não acaba só há desgraça e tristeza,
Soluços de toda a gente e as gargalhadas dos nazis!
Antes, nas tardes alegres,
Meu noivo vinha à rua,
Seus olhos nos meus pousavam,
Meus lábios só tinham risos.
Mas um dia... Eles chegaram.
Vestiam camisas pardas.
Coração? Eles não tinham.
Meu noivo havia partido tão belo, com o seu fuzil!
Mataram-no de madrugada, nesse inverno que chegava...
Esse campo não tem flores...
Mais parece um cemitério...
Em campo de concentração
São mil judias comigo, mas nenhuma nome tem.
Só, sobre o peito, uma marca feita com ferro em brasa,
Como um rebanho de gado
Para os açougues dos nazis.
Minha beleza se foi...
Meus lábios já não sorriem.
Ontem mataram meu pai na vista de minha mãe;
Meus olhos são secos, secos não restou nenhuma lágrima.
Uma coisa me disseram - quem dera fosse verdade...
Disseram que em outras terras,
Judias e não judias, moças que nem nome têm,
Em armas se levantaram,
Que guerrilheiras se chamam, que matam nazis nas noites,
Que vingam os noivos e a honra! Quem dera fosse verdade!
Por que... Se fosse verdade, mulheres matando nazis,
Nesse campo desgraçado uma alegria eu teria, uma esperança também.
Dizem que em outras terras lutam mulheres em armas...
Quem dera fosse verdade por que... Se fosse verdade,
Um dia para Varsóvia, com certeza chegaria,
em que o Inverno se fosse e os nazistas se acabassem.
E a primavera encheria de cantos Varsóvia inteira,
Nas ruas de criancinhas, nos alegres jardins de flores,
Nos olhos dos namorados...
Tudo seria uma canção!
E, moça judia então, NOME de novo eu teria!


sábado, 4 de junho de 2011

Declaração de conflitos que geram polêmicas



No auditório da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo o palestrante, Mohsen Shaterzadeh, embaixador do Irã, entre outros temas abordou o conflito árabe-israelense no Oriente Médio e fez uma afirmação: "Não existe um conflito entre muçulmanos e judeus. Nós respeitamos o judaísmo como religião divina".

Tal declaração não passou de uma preliminar para chamar a atenção dos ouvintes que logo perceberam o verdadeiro teor da palestra, e que, após ler o artigo, me pareceu um método bem eficaz de introduzir o anti-semitismo.

O embaixador do Irã no Brasil não poupou palavras para definir o real sentimento a respeito do Estado de Israel e suas palavras foram: "Israel  é um tumor cancerígeno no Oriente Médio". Argumentou que a crise entre o seu pais e Israel aumentou após as declarações do presidente Mahmoud Ahmadinejad:  “o Estado de Israel deveria ser varrido do mapa”. Mas parece-me que estava apenas seguindo um protocolo como é de costume nesses casos.

Shaterzadeh alegou que o Estado de Israel foi criado por causa do Holocausto, e que isso deveria ter sido feito na Alemanha. Assim, em sua palestra que durou pouco mais de uma hora, além de deteriorar a imagem de Israel, como já acontecesse inúmeras vezes através da Mídia, classificou o Sionismo de “uma ideologia baseada na descriminação".

Interessante a total falta de compromisso com os textos sagrados da Bíblia e com a promessa de Deus feita a Abraão, Isaque e Jacó, o que já era de se esperar tendo em vista que a religião muçulmana difere da religião judaica e cristã. Em outras palavras ele quis dizer: Respeitamos o judaísmo e os judeus, mas os queremos bem longe da Terra Prometida! 

O que mais poderíamos esperar? A Paz? 

Enquanto líderes políticos insistirem em declarações unilaterais a fim de promover o anti-semitismo, desorientar a população e denegrir a imagem de Israel não haverá paz no Oriente Médio, ou entre árabes e israelenses, ou em qualquer parte do planeta.

A paz é fruto do respeito mútuo e não me parece que esse, tenha sido o real conteúdo da tal palestra.



Marion Vaz

quarta-feira, 1 de junho de 2011

JERUSALÉM: Três mil anos de História


"Se eu me esquecer de ti , ó Jerusalém, que a minha mão direita esqueça a sua destreza. Apegue-se a minha língua ao céu da boca, se me não lembrar de ti, se não colocar Jerusalém acima da minha maior alegria." (Salmos 137: 5-6)


Durante a Guerra dos Seis Dias Israel conquistou e libertou Jerusalém, permitindo que fosse sua capital única e eterna. A partir de então, foi concedido direito para que pessoas de todas as religiões tivessem acesso aos seus locais sagrados.

Resumo Histórico

O Rei Davi fez de Jerusalém a capital do seu reino e o centro religioso do povo judeu em 1003 AEC. Cerca de 40 anos mais tarde, seu filho Salomão construiu o Templo (centro religioso e nacional do povo de Israel) e transformou a cidade em próspera capital de um Império que se estendia do Eufrates até o Egito.

Nabucodonosor, rei da Babilônia, conquistou Jerusalém em 586 AEC, destruiu o Templo e exilou o povo. Cinqüenta anos depois, com a conquista da Babilônia pelos persas, o rei Ciro permitiu que os judeus retornassem à sua pátria e lhes concedeu autonomia. Eles construíram o segundo Templo, no local do primeiro, e reconstruíram a cidade e suas muralhas.

Alexandre, o Grande, conquistou Jerusalém em 322 AEC. Após a sua morte, a cidade foi governada pelos ptolomeus do Egito e mais tarde pelos selêucidas da Síria. A helenizarão da cidade atingiu o auge sob o rei selêucida Antíoco IV; a profanação do Templo e a tentativa de anular a identidade judaica deram origem a uma revolta.

Liderados por Judas, o Macabeu, os judeus derrotaram os selêucidas, reconsagraram o Templo (em 164 AEC) e restabeleceram a dinastia judaica sob os Hasmoneus, que se conservou no poder por mais de 100 anos, até Pompeu impor a lei romana sobre Jerusalém. 

Herodes, o rei idumeu, governou a Judéia de 37 AEC até 4 EC. Ele estabeleceu instituições culturais, erigiu magníficas construções e reformou o Templo, transformando-o num esplendoroso edifício.

Após a morte de Herodes, o governo romano tornou-se cada vez mais opressivo. Em 66 EC, irrompeu a revolta dos judeus contra Roma. Durante poucos anos, Jerusalém viu-se livre da opressão estrangeira, até que em 70 EC, as legiões romanas comandadas por Tito, conquistaram a cidade e destruíram o Templo.

A independência judaica foi restaurada por breve período, durante a revolta de Bar Kochba (132-135), mas os romanos triunfaram mais uma vez, e os judeus foram proibidos de entrar em Jerusalém. A cidade foi reconstruída com feições  romanas e o nome mudou para Aelia Capitolina.

Por um século e meio, Jerusalém foi uma pequena cidade provinciana. Esse quadro modificou-se radicalmente quando o imperador bizantino Constantino transformou Jerusalém em um centro cristão. A Basílica do Santo Sepulcro (335) foi a primeira de um grande número de majestosas construções que se ergueram na cidade.

Em 634, com o enfraquecimento do Império Romano, exércitos mulçumanos invadiram o país. Em 638, Jerusalém foi conquistada pelo Califa Omar. Apenas sob o reinado de Abdul Malik, que construiu a mesquita do Domo da Rocha (ou Mesquita de Omar, em 691), um califa lá se assentou. Após um século da dinastia omíada de Damasco, Jerusalém passou a ser governada pela dinastia dos abássidas de Bagdá (em 750), época na qual começou o declínio da cidade.

Os cruzados conquistaram Jerusalém em 1099, massacraram seus habitantes judeus e muçulmanos e fizeram de Jerusalém a capital do reino. Sob o domínio dos cruzados, sinagogas foram destruídas, velhas igrejas foram reconstruídas e mesquitas transformadas em templos cristãos. Os cruzados dominaram Jerusalém até 1187, quando a Cidade foi conquistada por Saladino, o Curdo.

Os mamelucos - aristocracia militar feudal do Egito - governaram Jerusalém a partir de 1250. Eles reconstruíram numerosos edifícios, mas viam a cidade somente como um centro teológico muçulmano e, com negligência e impostos exorbitantes levaram-na à ruína econômica.

Os turcos otomanos, cujo domínio prolongou-se por 4 séculos, conquistaram a cidade em 1517. Suleiman, o magnífico, reconstruiu as muralhas (1537), construiu o reservatório do Sultão e instalou fontes públicas por toda a Cidade. Após sua morte, as autoridades centrais em Constantinopla demonstraram pouco interesse por Jerusalém. Durante os séculos XVII e XVIII, ela viveu um de seus piores períodos de decadência.


Jerusalém tornou a prosperar a partir da segunda metade do século XIX, com o crescente número de judeus que retornavam à sua pátria ancestral, o declínio do Império Otomano e o interesse renovado da Europa pela Terra Santa.

O exército britânico, comandado pelo general Allenby, conquistou Jerusalém em 1917. Entre 1922 e 1948 ela foi a sede administrativa das autoridades britânicas na Terra de Israel (Palestina), que fora entregue à Grã-Bretanha pela Liga das Nações após o desmantelamento do Império Otomano, no fim da Primeira Guerra Mundial. 

A cidade se desenvolveu rapidamente, crescendo rumo ao oeste, o que ficou conhecido como a "Cidade Nova".

Com o término do mandato Britânico em 14 de maio e com a resolução da ONU de 29 de novembro de 1947, Israel proclamou sua Independência e Jerusalém tornou-se a capital do país.

Opondo-se ao estabelecimento do novo Estado, os países árabes lançaram-se num ataque de várias frentes, que resultou na Guerra da Independência, de 1948 a 1949. As linhas de armistício, traçadas ao final da guerra, dividiram Jerusalém em duas partes: a cidade Velha e áreas ao norte e ao sul sob domínio da Jordânia, e Israel com o controle das partes ocidental e sudoeste da cidade.

 
Jerusalém foi reunificada em junho de 1967, como resultado de uma guerra na qual a Jordânia tentou se apoderar da parte ocidental da cidade.






O quarteirão judeu da Cidade Murada, destruído sob o domínio jordaniano, foi restaurado e os israelenses puderam de novo visitar seus lugares santos, o que lhes tinha sido negado desde 1948.

Sob o domínio israelense, nenhum esforço tem sido poupado no sentido de manter viva sua herança física e espiritual, e de serem preservadas as marcas tangíveis do seu passado. Hoje comemoramos Yom Yerushalaim! Baruch HaShem!




01/06/2011

Jerusalém Subterrânea


Abaixo da grandiosa cidade antiga de Jerusalém vamos encontrar outra cidade onde centenas de pessoas passeiam por túneis, compartimentos que datam de períodos medievais e principalmente do período romano. Para Israel, os túneis são a prova de judeus têm raízes ali e isto fez com que eles se tornassem um ponto turístico.

 


  O número de visitantes, na maioria, judeus e cristãos, aumentou muito nos últimos anos, chegando a mais de um milhão em 2010.

 Ao visitar as escavações arqueológicas que expõe à mostra as várias camadas enterradas em baixo da Jerusalém de hoje, poderá observar que cada camada representa uma das civilizações que dominaram a cidade.

Desde a sua fundação pelos jebusitas, cerca de 4.000 anos atrás, 20 civilizações ocuparam o local da cidade de Jerusalém, sendo as ocupações judaicas as mais florescentes. Há vestígios das cidades dos jebusitas, assírios, persas, gregos, sírios, romanos, cristãos, muçulmanos, cruzados, turcos e judeus. Cada civilização construiu a sua cidade em cima da cidade da civilização anterior.

Jerusalém foi parcialmente destruída durante a História por invasões, incêndios, terremotos ou cercos militares. Após cada evento, a cidade era abandonada e as casas reduziam-se a ruínas. Depois de algum tempo uma nova cidade florescia sobre as ruínas da cidade destruída.

Nas escavações arqueológicas no lado sul do Monte do Templo há uma escada a vários metros de profundidade e de metro em metro você verá os vestígios de 20 cidades sobrepostas uma sobre a outra.

No Muro Ocidental você poderá entrar num túnel construído recentemente e que o levará às fundações do Muro, onde você verá a construção original de Herodes levantada há mais de dois mil anos. Você também verá o aqueduto que levava água ao Templo na época dos Hasmoneus, sacerdotes que governavam Israel cerca de 200 anos antes da nossa era.

 
Judeus ultra ortodoxos rezam em túnel do Muro das Lamentações na cidade Antiga de Jerusalém









Uma nova ligação subterrânea quando estiver concluída, terá dois quilômetros de percurso abaixo da cidade. Em pouco tempo, será possível passar horas em Jerusalém sem ver o céu.


Ao sul da cidade antiga, visitantes podem entrar por um túnel escavado pelo rei Ezequias há 2500 anos e percorrer, agachados, o bairro árabe de Silwan. O túnel é um longo corte que se estende por 533 metros dentro da proteção das muralhas da cidade.

No início do verão, uma nova passagem será aberta próximo ao local por onde se conclui que os judeus parecem ter usado o caminho para escapar da legião romana que destruiu o Templo de Jerusalém em 70 A.D.

O próximo grande projeto, de acordo com a Autoridade Israelense de Antiguidades, será seguir o curso de uma das principais ruas da era romana, que fica abaixo da praça de oração do Muro das Lamentações. Esta rota, marcada para ser finalizada daqui a três anos, vai ser ligada ao túnel do muro.

Yuval Baruch, arqueólogo da Autoridade de Antiguidades encarregado por Jerusalém, afirma que as escavações são feitas de maneira cuidadosa para preservar os valorosos achados de todos os períodos da história da cidade: “Esta cidade é do interesse de pelo menos metade das pessoas do planeta, e nós vamos continuar descobrindo o passado da maneira mais profissional que temos”.

No Parque Arqueológico de Jerusalém, próximo ao Muro das Lamentações, o ponto principal do centro é a reconstrução virtual tridimensional do Templo, baseada em textos antigos e escavações e produzida por uma equipe do Departamento de Simulação  Urbana da UCLA. As imagens geradas a cada 41 milionésimos de segundo fazem com que os participantes sintam estar realmente subindo pelas escadas do Templo, caminhando por entre suas altas colunas para prostrar-se perante a grandiosidade do Santo Templo.


Uma parte da muralha, de 70 metros de comprimento e seis de altura, foi encontrada em um local de nome Ofel entre a conhecida como Cidadela de David e a parede sul do Monte do Templo judeu.

No local, foi desenterrada também uma monumental guarita de vigilância de seis metros de altura e uma torre que serviria de mirante para proteger a entrada da cidade, que são características do estilo do Primeiro Templo.





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